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Publicada em 10.10.2016

Duas espécies de répteis ganham vida livre no Parque Dois Irmãos

Os 77 exemplares de cágados das espécies muçuã (Knosternon scorpioides) e de barbicha (Phrynops geoffroanus), que estavam nos recintos do zoológico ganharam, na última sexta-feira (07/10), a liberdade em dois trechos do açude de Dois Irmãos, manancial da unidade de conservação que abriga 384,42 hectares de remanescentes da Mata Atlântica, na Região Metropolitana do Recife. Todos receberam dupla marcação com tinta atóxica e serrilhado em uma das placas, para facilitar a identificação e o monitoramento que será realizado pela equipe técnica do Parque, em parceria com a UFRPE.

 

A decisão da soltura, devidamente autorizada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama, foi o resultado de dois anos de pesquisa realizada em parceria com o Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), sobre as populações (de répteis e anfíbios) que ocorrem no PEDI. De acordo com o levantamento, verificou-se que as populações nativas dos cágados nos açudes da UC e no Rio Capibaribe, que são interligados, estavam muito baixas. Antes de efetivar a soltura, todos os animais passaram por exames (afastando a possibilidade de patógenos prejudiciais aos animais de vida livre) e levantamento biométrico.

 

Acrescentar à população nativa os novos indivíduos que nasceram em cativeiro no zoológico, pode significar o melhoramento genético e apoiar a conservação das espécies. Por isso, a pesquisa e o monitoramento continuam para verificar se os animais de vida livre conseguirão se fortalecer com a genética dos novos cágados que foram introduzidos. Permanecerão em exposição no zoológico, 23 cágados de barbicha e oito muçuã.

 

Para George do Rêgo Barros, gestor do Parque Estadual, “a soltura é uma ação simbólica dentro do perfil de conservação das espécies que o Parque está buscando e marca a mudança no conceito da função do zoológico, através da interligação de algumas espécies do plantel do zoo e os animais em vida livre que já monitoramos, a exemplo dos jacarés e capivaras”, enfatizou o gestor.

 

Texto: Flávia Cavalcanti

Fotos: André Pimentel/PEDI