11.06.2020

Os impactos da pandemia na vida das trabalhadoras rurais

A Secretaria da Mulher do Estado (SecMulher-PE) e a Comissão Permanente de Mulheres Rurais de Pernambuco realizaram, nesta quinta-feira (11-06), a primeira videoconferência para debater os impactos da pandemia na vida e no trabalho das mulheres do campo e das águas, com ênfase na produção de alimentos e no enfrentamento da violência contra as mulheres. 
A secretária da Mulher de Pernambuco, Silvia Cordeiro, participou do evento e disse que a pandemia do Coronavírus trouxe mais dificuldades para a vida das mulheres com o aumento da violência doméstica e sexual, a múltipla jornada de trabalho e a situação de perda de renda das trabalhadoras rurais. Ela acrescenta que a dupla jornada de trabalho das mulheres se multiplicou, por dez vezes, e que a maioria está inserida na informalidade. “No campo e na cidade, as mulheres já perderam mais de 40% de suas rendas”, explica. Silvia também revela que a violência contra as mulheres vem aumentando e que os registros dos Boletins de Ocorrências (B.Os) vem caindo com o isolamento social. Para atender as mulheres tanto na Região Metropolitana quanto no Interior, o Estado está mantendo todos os serviços da Rede de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres e criando novos. “Prorrogamos as medidas protetivas de violência contra as mulheres através de encaminhamento feito pela Câmara Técnica ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. Também encaminhamos a solicitação da criação do Boletim Eletrônico para o registro dos crimes de injúria, calúnia ou difamação que agora pode ser feito pelo www.policiacivil.pe.gov.br”, esclarece. Silvia acrescenta que a Secretaria da Mulher do Estado está com os serviços de proteção às mulheres, funcionando como casas abrigo, entrega dos GPS e demais atendimentos que podem ser acessados pela Ouvidoria Cidadã Pernambucana através do 0800-2818187.
O secretário de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco, Dilson Peixoto, falou dos efeitos danosos da crise e de todo o trabalho de assistência às trabalhadoras e trabalhadores do campo que vem sendo feito pelo Governo do Estado, a exemplo da distribuição de cestas básicas. “Já distribuímos cerca de 48 mil cestas para pescadoras/es do litoral, agricultoras/es do programa Chapéu de Palha Mata Norte, Mata Sul, Região Metropolitana, população indígena e beneficiários do programa do leite”, esclarece. Ele acrescenta que em breve será concluindo o levantamento para iniciar a distribuição para todas as comunidades quilombolas e povos de terreiro. O secretário informa que a agricultura familiar será fortalecida com a criação de uma plataforma de venda online a qual o agricultor de macaxeira de Pernambuco, por exemplo, vai poder vender seu produto para todo o Estado com a criação do Programa Estadual de Alimento da Agricultura Familiar. 
Márcia Aguiar, gerente da Gerência de Geração e Renda da SecMulher, ressalta a  importância da Comissão Permanente de Mulheres Rurais continuar com esse trabalho, agora através dessas reuniões online, para manter o conhecimento da situação das mulheres em todas as regiões do Estado. A Conselheira do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres e representante da Comissão, Elisa Urbano, fala diretamente da aldeia Barriguda e conta a dificuldade pela qual passa a população indígena. “O vírus já chegou aos Pancararus e já esta levando muitos guerreiros e guerreiras. A covid é estranha para nós que somos um povo de convivência coletiva. Saímos mais fortalecidas dessas reuniões e o que vai ficar dessa pandemia é o resultado de tudo que temos conversado nesses encontros”, conclui.  
Maria Oliveira, gestora do Chapéu de Palha da Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão - Seplag, explica que o programa atende a 93 municípios. “Vamos cumprir a bolsa do chapéu de palha e estamos aguardando o decreto para fazermos uma reunião como essa e discutir”, explica. Marcia Aguiar completa dizendo o quanto o programa chapéu de palha é importante para a Secretaria da Mulher de Pernambuco se aproximar das mulheres do campo e das águas e que essa parceria já dura 13 anos. “Precisamos criar e reinventar estratégias para trabalhar com as mulheres e continuar em 2021. Isso é uma política pública consolidada pela SecMulher que sabe que as organizações feministas das mulheres é fundamental para a continuidade desse programa”, conclui.