12.08.2020

SecMulher-PE nos 20 anos da Marcha das Margaridas

Esta quarta-feira (12-08) é especial para as mulheres do campo, das águas e das florestas. Nesta data, há 20 anos, essas mulheres marcharam de diversos cantos do país para Brasília num movimento amplo, diverso e estratégico, de visibilidade e reconhecimento social e político, com alcance em toda a América Latina – conhecido como Marcha das Margaridas.

A marcha, liderada pelos movimentos sindicais, sociais, feministas e de mulheres, provoca as esferas públicas, mostrando-se capaz de dialogar com o Estado e incidir sobre as políticas públicas e conquista de direitos. A cada quatro anos, acontece uma mobilização nacional dessas mulheres que se reúnem nas comunidades, municípios e estados e seguem rumo a Brasília com o lema: “Até que todas sejamos livres”.

 O resultado desse processo reflete a luta das situações enfrentadas pelas “Margaridas” que aproveitam a oportunidade para denunciar as violências sofridas e as desigualdades sociais, pautadas nas relações de gênero, raça, classe, orientação sexual; além das violações dos direitos à saúde, à educação, à moradia, à produção de alimentos, à construção de justiça e igualdade social, num país historicamente marcado pela concentração de terras, riquezas e poder.

Em Pernambuco, os movimentos sociais e sindicais são protagonistas desse importante movimento, e o Governo de Pernambuco, como parceiro, apoia a logística das mulheres para participar das edições das Marchas e promove debates e atividades formativas no âmbito da Comissão Permanente de Mulheres Rurais de Pernambuco (CPMR-PE).

A Secretaria da Mulher de Pernambuco (SecMulher-PE) realiza a Campanha Violência Contra a Mulher Não Dá Frutos que vai até as comunidades de mulheres rurais levar formação através de debates sobre as ações de enfrentamento da violência doméstica e familiar, como a Lei Maria da Penha e a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. Essa ação é realizada de forma permanente, nos sítios e distritos e conta com o apoio da CPMR-PE, das gestoras municipais de políticas para as mulheres e de lideranças locais.

AS MULHERES E MARCHA DAS MARGARIDAS – A marcha foi inspirada em Margarida Alves, sindicalista paraibana, assassinada por defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Joana Mousinho, representante da Articulação das Pescadoras de Pernambuco (APP) se diz orgulhosa em fazer parte de reuniões constantes com agricultoras para se prepararem para a marcha. “Trabalhamos o tempo todo para quando chegar o dia da Marcha das Margaridas está tudo organizado com panfletos, músicas, camisas, chapéus”, explica. Margarida Pereira da Silva (Ilda), representante do MMTR-PE diz que a cada Marcha, as Margaridas têm demonstrado sua força de participar, articular, mobilizar, elaborar e reivindicar. “Essa ação tem fortalecido a luta das mulheres por direitos.”

Elizete Maria da Silva, representante do MMTR-PE, revela que são 20 anos de luta, reflexão e resistência, e isto tem um grande significado na vida de todas nós Margaridas do Campo, das Florestas, das Águas e das Periferias das grandes cidades. “Marcharmos para a construção de um mundo justo, solidário e igual entre homens e mulheres”, completa. Ozaneide Gomes, representante da Rede de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Fruticultura Irrigada do Sertão do São Francisco, acrescenta que a Marcha das Margaridas é um evento de extrema importância para o desenvolvimento das mulheres. Edriane Cruz, representante da Rede de Mulheres Quilombolas, fala da importância da participação e das contribuições das mulheres quilombolas na Marcha. “É na Marcha que a gente troca ideias, sugestões e trazemos conosco uma perspectiva de futuro, uma perspectiva de melhoria, de qualidade de vida”, conclui.

Live em alusão ao Dia da Marcha das Margaridas:

https://www.youtube.com/watch?v=yQ7AB18CLTk&feature=youtu.be